Um sonho antigo começa a ganhar forma para Cleyton Cipriano Pinto, de 44 anos. Internado existe mais de duas décadas no Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II, em São Paulo, depois de sofrer uma machucado cervical por arma de fogo, ele acaba de receber um dispositivo tecnológico que permite o controle do computador com movimentos da cabeça e da face, além de uma bolsa integral para cursar graduação a distância.
A iniciativa faz parte do Projeto Mãos Livres, voltado a oferecer recursos tecnológicos e bolsas de estudo para pessoas com tetraplegia. O equipamento foi desenvolvido através do Laboratório de Inovação Acadêmica (LIA), que o entregou pessoalmente a Cleyton.
Com movimentos bastante limitados, Cleyton sempre manteve o desejo de estudar e alcançar uma profissão. Chegou a começar o curso de Direito, mas precisou interromper os estudos por questões de saúde e falta de recursos. Agora, com a bolsa de estudos e o suporte do novo dispositivo, conseguirá retomar sua trajetória acadêmica com mais acessibilidade e autonomia.
“O dispositivo e a bolsa de estudos representam uma oportunidade concreta para que ele possa reconstruir sua trajetória”, afirma o reitor da Universidade Guarulhos (UNG), Yuri Neiman.
Segundo Adriane Mendes, gerente de Governança Ambiental e Social da instituição, “o equipamento inovador abre um mundo de possibilidades, proporcionando a ele a chance de retomar sua trajetória acadêmica com mais independência”.
Tecnologia a serviço da inclusão
O dispositivo entregue a Cleyton foi projetado com sensores de movimento e proximidade, permitindo controlar o cursor do mouse somente com o movimento da cabeça e fazer cliques com toques leves na face. A estrutura, desenvolvida por impressão 3D, foi pensada para oferecer conforto e facilidade de uso.
“O objetivo foi garantir uma solução acessível e funcional para que ele possa acessar plataformas educacionais com autonomia”, explica Rafael Pacheco Ferreira, analista de inovação do LIA. “Utilizamos dois sensores para captar os movimentos e desenvolvemos um design ergonômico para facilitar a adaptação do usuário.”
Um novo capítulo
Natural de São Paulo, Cleyton vive no Hospital Dom Pedro II existe 24 anos, desde o acidente que resultou em machucado completa na vértebra C5, levando à tetraplegia. Com poucos movimentos preservados no braço direito, ele sonha com a reintegração social e a conquista de uma profissão.
No decorrer desse tempo, chegou a cursar dois semestres de Direito de forma presencial, mas precisou interromper os estudos. Mais tarde, participou de uma aceleradora inclusiva de programação, mas não se reconheceu com a área. Na escrita, identificou um modo de expressão e postou um livro autobiográfico.
Sem apoio familiar, sempre buscou meios para conquistar independência e qualidade de vida. Para utilizar o computador, improvisava adaptadores e pequenas hastes de madeira.
Com a bolsa de estudos e o novo recurso tecnológico, Cleyton terá condições de começar uma graduação a distância e avançar no sonho que manteve por mais de duas décadas.
Sobre o Projeto Mãos Livres
Criado para ampliar o acesso ao ensino superior de pessoas com tetraplegia, o Projeto Mãos Livres proporciona bolsas integrais para cursos de graduação e pós-graduação na modalidade a distância, além de equipamentos adaptados. O objetivo é promover autonomia, inclusão social e novas oportunidades de inserção no mercado de trabalho para pessoas com limitações motoras.
Com informações de ClickGuarulhos

