Foi preciso um AVC aos 28 anos paralisar o lado esquerdo do corpo para que Wallace, esportista de Guarulhos, descobrisse, da forma mais dura, o lado direito da vida. Ex-cantor com uma rotina intensa no circuito noturno paulista, ele viu sua história mudar em questão de segundos depois de sofrer um acidente de carro que resultou em um traumatismo cranioencefálico grave e em um acidente vascular cerebral.
O episódio, que parecia impensável para um jovem em plena atividade, tornou-se um divisor de águas. A contar daquele momento, Wallace passou a confrontar uma batalha através da vida, através da identidade, através da mobilidade e por um novo sentido para a própria existência.
De Guarulhos para uma história de superação
Natural de Guarulhos, Wallace carrega em sua trajetória uma história marcada por recomeços, fé e determinação. A experiência pessoal, que poderia ter sido limitada à dor e às perdas provocadas através do acidente, transformou-se em inspiração para outras pessoas que enfrentam desafios físicos, emocionais e espirituais.
Sua caminhada também reforça a necessidade de histórias locais que ultrapassam os limites da cidade. Ao trazer sua vivência para o livro “O Lado Direito da Vida!”, Wallace apresenta ao público uma narrativa que nasce em Guarulhos, mas dialoga com qualquer pessoa que já precisou reconstruir a própria vida depois de uma ruptura.
Do palco ao leito de hospital
Antes do acidente, Wallace vivia uma rotina marcada através da música, pelos palcos e através da intensidade da vida noturna. Depois do impacto, vieram o coma, diagnósticos severos, cirurgias, dores neuropáticas, limitações físicas e a difícil realidade de um corpo que já não respondia como antes.
Desenganado pelos médicos, ele precisou reaprender a lidar com movimentos, frustrações, dependência, silêncio e dor. O que poderia representar o final de uma trajetória passou a ser o começo de uma reconstrução profunda.
Fé, disciplina e reabilitação
A recuperação exigiu anos de reabilitação intensa e milhares de sessões de terapia. Entre avanços lentos, recaídas emocionais e incertezas sobre o futuro, Wallace identificou na fé um dos pilares para seguir de frente.
Foi neste processo, agendado através da vulnerabilidade, que ele passou a reconstruir não unicamente o corpo, mas também sua forma de enxergar a vida. A dor, antes vista como limite, tornou-se parte de uma transformação pessoal baseada em disciplina, espiritualidade, família e propósito.
A volta pelas piscinas
Contra as previsões iniciais, Wallace reencontrou no esporte um caminho de superação. A natação entrou em sua vida como instrumento de reabilitação e acabou se transformando em uma nova vocação.
Hoje, esportista de alto rendimento e engenheiro de formação, o guarulhense acumula dezenas de medalhas em competições oficiais do Comitê Paralímpico. Sua trajetória nas piscinas mostra que, mesmo quando metade do corpo falha, a força de vontade pode abrir caminhos antes considerados impossíveis.
Um relato sobre recomeços
Em “O Lado Direito da Vida!”, Wallace compartilha uma narrativa marcada por quedas, perdas, renúncias e reconstrução. A obra apresenta um relato cru e humano sobre o impacto de um acidente, os desafios da deficiência adquirida, a necessidade da inclusão e o poder do esporte como ferramenta de transformação.
Mais do que uma autobiografia, o livro se apresenta como um legado de coragem e consciência. A história do esportista de Guarulhos não se limita à superação física. Ela fala sobre identidade, fé, família, pertencimento e a decisão de continuar sendo quem se é, mesmo quando o destino interrompe os planos.
O lado que desperta
A frase que sintetiza sua trajetória resume também a força simbólica da obra: “Um AVC aos 28 anos paralisou a esquerda — e fortaleceu tudo que havia do lado direito.”
Ao transformar dor em propósito, Wallace entrega ao leitor uma história de impacto emocional e inspiração. “O Lado Direito da Vida!” é um convite à reflexão sobre limites, recomeços e sobre como, mesmo diante das maiores rupturas, ainda é plausível despertar uma nova forma de viver.
Com informações de Folha Metropolitana


