O segmento norte do Rodoanel de São Paulo fica com em torno de um terço das obras concluídas. A obra, iniciada em 2013, sofreu várias interrupções e foi inteiramente paralisada em 2018, sendo retomada no mês de abril do ano passado. Com 43,8 km de extensão, o segmento é o último a ser construído e vai completar a interligação de todo o grande anel viário que circunda a capital paulista. A conclusão fica prevista para o segundo semestre de 2026.
A obra, a cargo da concessionária Via SP Serra, do grupo Via Appia, chegou a 31,04% de execução no mês de janeiro deste ano, segundo relatório da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Os serviços foram divididos em dois trechos: a evolução do segmento 1 corresponde a 18,45% da obra e os trabalhos do segmento 2 chegaram a 12,58%. Como os serviços prosseguem no mês de fevereiro, já se estima que o avanço atinja um terço da obra.
O investimento, de R$ 3,4 bilhões, inclui 107 obras, sendo 44 pontes e 63 viadutos, além de sete túneis duplos. O Rodoanel Norte passa através da capital paulista, Arujá e Guarulhos. O empreendimento contempla ainda o ramal de ligação ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, com 3,6 quilômetros. O principal objetivo é desviar grande parte do trânsito das marginais Tietê e Pinheiros e, consequentemente, eliminar parte do tráfego pesado de passagem, melhorando o transporte coletivo e individual da capital e cidades do entorno.
O governo de São Paulo diz, através da Artesp, que a construção do segmento Norte do Rodoanel iniciou em 2013 e necessitaria ter sido concluída em 2016, no entanto “a obra enfrentou uma série de paralisações e problemas ao longo dos anos”. Durante as obras houve até desabamento de túneis. Problemas licitatórios adiaram a retomada. Em 2018 os trabalhos foram interrompidos e a estatal paulista Dersa, responsável através do projeto, rescindiu os contratos com as empresas, alegando abandono das obras.
Diante da paralisação, o governo iniciou novos processos de licitação para atualizar os custos e corrigir falhas nos projetos. Além do que, segundo a Artesp, foi necessária uma revisão no traçado original, que afetava regiões de preservação ambiental. O leilão para a retomada ocorreu no mês de março de 2023. “Agora, a nova previsão é de que o trecho fique pronto no segundo semestre de 2026, sob uma concessão de 31 anos”, diz a nota.
O primeiro segmento, entre as pistas Presidente Dutra e Fernão Dias, que fica mais avançado, tem conclusão prevista para até setembro deste ano. Já o segundo, da Fernão Dias até a avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em São Paulo, será entregue no segundo semestre do ano que vem.
Com a conclusão do segmento norte, serão interligados o segmento sul e o leste, fechando o anel viário de 177 quilômetros cuja construção iniciou existe 27 anos – em 1998. O novo segmento terá pedágios sem cabine, no sistema free-flow – os veículos não precisarão parar ou diminuir a velocidade.
Atualmente, em torno de 1,8 mil profissionais estão atuando direta ou indiretamente em diversas frentes de trabalho.
Para o engenheiro civil Ivan Carlos Maglio, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), a conclusão do Rodoanel Norte para fechar o anel viário de São Paulo continua importante para tirar o tráfego das marginais e os congestionamentos. “O problema é que atrasou muito e logo ficará saturado. Para cargas, a solução é o Ferroanel norte, que já tem licença ambiental e sua faixa de domínio para implantação já foi desapropriada juntamente com o Rodoanel”, diz.
Maglio coordenou o Estudo Social e de Impacto Ambiental do Rodoanel Norte (ESIA) e tem seguido as obras. “O trecho de Guarulhos à Fernão Dias está praticamente pronto. O trecho mais atrasado, e que exige demolições e novas obras, é o de Perus à Fernão, especialmente da Cachoeirinha à Freguesia do Ó”, explicou.
Para ele, é importante que o projeto de mobilidade da Grande São Paulo, depois de o Rodoanel, avance com o Ferroanel, que tiraria as cargas ferroviárias que ainda passam através da Estação da Luz. “A ferrovia não gera poluição do ar”, lembra.
Conforme o Ministério dos Transportes, o projeto do Ferroanel foi inicialmente considerado para inclusão na adiamento da concessão da MRS (autorização para a iniciativa privada operar a malha regional da rede ferroviária federal). Com o avanço das discussões, concluiu-se que a segregação do transporte de carga das linhas de passageiros, viabilizando a implantação do Trem Intercidades, atenderia de forma mais eficaz ao interesse público.
Dê uma olhada os detalhes da execução do Segmento 1:
Lote 6: 11,95 km de extensão, passando por Guarulhos e Arujá, com acesso ao Aeroporto de Guarulhos e 33 obras especiais de arte.
Lote 5: 7,95 km de extensão, em Guarulhos, com 13 obras de arte especiais e um túnel duplo.
Lote 4: 9,17 km de extensão no decurso do eixo principal, percorrendo São Paulo e Guarulhos, como 38 obras de arte especiais e túnel duplo.
Dê uma olhada os detalhes da execução do Segmento 2:
Lote 3: extensão de 3,62 km no decurso do eixo principal do empreendimento, percorrendo o município de São Paulo, com duas obras de arte especiais e dois túneis duplos.
Lote 2: 4,88 km de extensão no município de São Paulo, com oito obras de arte especiais e dois túneis duplos.
Lote 1: extensão de 6,42 km no decurso do eixo principal, em São Paulo, iniciando na interseção da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na junção com o segmento Oeste, com 13 obras de arte especiais e um túnel duplo.
Com informações de GuarulhosHoje


