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O Ministério Público do Estado de São Paulo, com o auxílio das Promotorias de Justiça Criminais de Guarulhos, inaugurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NAVV), um equipamento voltado ao acolhimento, escuta que tem especialização, direção jurídica e encaminhamento psicossocial de pessoas direta ou indiretamente atingidas por crimes violentos.
A chegada do serviço a Guarulhos representa um avanço importante para uma cidade com mais de 1,2 milhão de habitantes, considerada a segunda mais populosa do Estado de São Paulo, atrás exclusivamente da capital, segundo o Censo 2022 do IBGE. Em um município desse porte, com grande circulação de pessoas, forte dinâmica urbana e desafios sociais complicados, a criação de um núcleo especializado amplia a capacidade institucional de amparar vítimas e familiares em momentos de extrema vulnerabilidade.
Conforme o Ministério Público, o NAVV de Guarulhos é a 19ª unidade do serviço implantada no Estado. O núcleo presta atendimento integral a vítimas de crimes violentos e familiares, com acolhimento, escuta que tem especialização, apoio, direção jurídica e encaminhamentos à rede de proteção.
O coordenador do NAVV em Guarulhos, promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes, explica que o espaço tem como foco casos graves de violência contra a pessoa, disponibilizando suporte a vítimas sobreviventes e parentes que precisam de direção jurídica, atendimento psicológico ou social. O projeto conta com a parceria da Faculdade de Psicologia da FIG UNIMESP e com o suporte da rede municipal de saúde e assistência social.
A necessidade do equipamento se torna ainda mais evidente diante dos números da violência. Em 2025, Guarulhos registrou 59 homicídios dolosos, uma redução de 11% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 67 mortes. Apesar da queda, o dado representa, em média, uma pessoa assassinada a cada seis dias no município.
Esses números ajudam a dimensionar o impacto social do NAVV. Cada homicídio, tentativa de homicídio, feminicídio, violência grave ou crime contra a vida não atinge exclusivamente a vítima direta. Afeta famílias inteiras, crianças, companheiros, pais, mães, amigos e comunidades que passam a conviver com o trauma, o medo, o luto e, muitas vezes, com a falta de informação sobre seus direitos.
No cenário nacional, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 aponta que o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais em 2024, o menor patamar desde 2012, mas ainda um volume extremamente elevado de vidas perdidas. O mesmo levantamento também destaca desafios graves relacionados à violência doméstica, sexual e contra mulheres.
No caso da violência contra a mulher, os dados reforçam a urgência de estruturas de acolhimento. Segundo levantamento divulgado com início do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o país registrou 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídio, com aumento de 19% nas tentativas em relação ao ano anterior. O perfil das vítimas mostra que 64% eram negras, 71% tinham entre 18 e 44 anos e oito em cada dez foram mortas por companheiro ou ex-companheiro.
Neste contexto, o NAVV representa muito mais do que um novo endereço de atendimento. O núcleo simboliza uma mudança de paradigma dentro do sistema de justiça criminal. A vítima, que muitas vezes aparece exclusivamente como parte de um processo, passa a ser vista como sujeito de direitos, alguém que necessita ser ouvido, orientado e seguido.
Para o Ministério Público, a atuação não deve se limitar à responsabilização dos autores de crimes violentos. Também é necessário assegurar que vítimas e familiares recebam acolhimento ideal, compreendam seus direitos e sejam direcionados aos serviços públicos necessários. Essa abordagem humanizada fortalece o protagonismo da vítima e contribui para diminuir a sensação de abandono depois de episódios de violência.
A inauguração contou com a presença do procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e da advogada Claudia Nakashima, irmã de Mércia Nakashima, assassinada no mês de maio de 2010 em um caso de grande repercussão nacional e internacional. A presença de Claudia reforçou o simbolismo do núcleo, particularmente para famílias que enfrentam a dor da perda e a longa busca por justiça.
Para Guarulhos, o NAVV chega como uma ferramenta essencial de proteção social. O equipamento fortalece a rede local ao integrar Ministério Público, universidade, saúde, assistência social e serviços de proteção. Na prática, isso significa que uma pessoa traumatizada ou enlutada conseguirá encontrar, em um mesmo fluxo de atendimento, escuta instruida, informação jurídica, apoio emocional e encaminhamento ideal.
O NAVV-MPSP fica localizado na Rua 7 de Setembro, 138, no Centro de Guarulhos. O atendimento poderá também ser solicitado através do WhatsApp (11) 96591-1372 ou através do e-mail navvguarulhos@mpsp.mp.br.
Com informações de Folha Metropolitana


