O dia 2 de março de 1996 marcou para sempre a história da música brasileira. Naquela noite de sábado, o avião que transportava os integrantes dos Mamonas Assassinas colidiu contra a Serra da Cantareira, em São Paulo. Não houve sobreviventes.
Passados 30 anos, a dor ainda ecoa em Guarulhos, cidade onde nasceu o grupo que, em menos de um ano de sucesso nacional, se transformou em fenômeno cultural.
Da periferia ao topo das paradas
Antes do sucesso, o grupo atendia através do nome Utopia. A mudança de rumo veio quando decidiram apostar no humor escrachado e na mistura de estilos — rock, forró, pagode, heavy metal e música brega — com letras irreverentes.
O álbum lançado em 1995 vendeu mais de 3 milhões de cópias em menos de um ano, feito raro até para padrões atuais.
Entre os sucessos que dominaram rádio e televisão:
- Pelados em Santos
- Vira-Vira
- Robocop Gay
- 1406
O carisma de Dinho e a energia de Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli transformaram o grupo em unanimidade nacional.
✈️ A investigação do acidente
O avião Learjet 25D que transportava a banda retornava de uma apresentação em Brasília que vão para ao Aeroporto de Cumbica.
Segundo relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o acidente ocorreu depois de uma arremetida na tentativa de pouso. Na segunda aproximação, a aeronave perdeu altitude e colidiu contra a Serra da Cantareira.
A investigação concluiu que houve falha na condução da aproximação final, associada a erro humano e perda de consciência situacional da tripulação. Não foram reconhecidos indícios de sabotagem ou falha mecânica determinante.
A tragédia vitimou os cinco integrantes da banda, tripulantes e equipe técnica.
O velório, feito no ginásio Paschoal Thomeo, local do último apresentação no município, juntou milhares de fãs. Em Guarulhos, a comoção tomou as ruas.
A Brasília Amarela virou símbolo eterno
A icônica Volkswagen Brasília amarela citada em “Pelados em Santos” se tornou um dos maiores símbolos da cultura pop brasileira.
No decorrer dos anos, fãs restauraram modelos idênticos, criaram réplicas e transformaram o veículo em peça obrigatória em encontros automotivos e eventos tributo.
A Brasília virou sinônimo dos Mamonas.
Homenagens permanentes em Guarulhos
Guarulhos preserva viva a memória da banda.
Entre os principais marcos:
- Praça e monumentos dedicados ao grupo
- Murais artísticos espalhados através da cidade
- Eventos tributo anuais
- Projetos culturais em escolas
O local onde os integrantes estão sepultados se tornou ponto de visita continuado de fãs de todo o país.
Nos últimos anos, o município também estruturou iniciativas para consolidar um memorial permanente dedicado à trajetória da banda.
Exumação e memorial
Como parte das homenagens dos 30 anos, familiares realizaram procedimentos de exumação e reorganização do espaço onde os músicos estão sepultados, pretendendo a preservação definitiva e melhorias estruturais no local.
A iniciativa integra um projeto maior de memorialização, com o objetivo de transformar o espaço em ponto oficial de visitação histórica e cultural. As cinzas serão transformadas em sementes que serão plantadas em uma área do cemitério.
A data de 30 anos também tem sido marcada por missas, atos ecumênicos, encontros de fãs e eventos musicais em Guarulhos.
A história continua sendo contada
No decorrer das três décadas, a trajetória da banda foi recontada em livros, especiais televisivos e no cinema, incluindo o filme biográfico Mamonas Assassinas: O Filme, que apresentou a história a uma nova geração.
Mesmo quem não viveu os anos 90 conhece as músicas.
O legado
Os Mamonas romperam padrões.
Misturaram estilos.
Quebraram preconceitos musicais.
Transformaram humor em fenômeno de massa.
Em menos de um ano de carreira nacional, deixaram um legado comparável ao de artistas com décadas de estrada.
Trinta anos depois, Guarulhos continua falando com orgulho:
Eles eram daqui.
E seguem eternos.
Com informações de Guarulhosweb


