A garrafa de água se tornou um item essencial na rotina das pessoas que procuram cuidar do corpo, mas a maneira como a limpamos pode estar comprometendo a saúde. Segundo especialista, uma simples lavagem diária com água pode não ser suficiente, inclusive quando a garrafa é usada para armazenar sucos, chás ou cafés.
Um estudo feito através da WaterFilterGuru, empresa que tem especialização em controle de qualidade nos Estados Unidos, apontou que uma garrafa reutilizável pode conter em torno de 20 milhões de Unidades de Formação de Colônias (UFCs), ou seja, a quantidade de micróbios com a capacidade de formarem colônias. A pia da cozinha, por exemplo, conforme com o estudo, teria em torno de 11 milhões de UFCs.
A limpeza diária é a primeira e mais importante defesa contra o surgimento de bactérias. O processo é rápido e deve ser feito ao menos uma vez no dia.
O infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Igor Marinho, aponta o passo a passo dessa limpeza.
- Separe a garrafa da tampa, e se tiver, remova quaisquer peças de vedação de borracha, bicos ou canudos internos.
- Use água morna (não fervente, inclusive se for de plástico) para auxiliar a dissolver resíduos e algumas gotas de detergente neutro.
- Com uma escova cilíndrica, esfregue vigorosamente o fundo e as laterais internas da garrafa. A ação de esfregar é importante para quebrar e remover qualquer microorganismo que esteja se formando.
- Lave a tampa, o bico e quaisquer vedantes separadamente, esfregando bem os cantinhos, roscas e regiões de difícil acesso (pode-se utilizar uma escova de dentes limpa para esses detalhes).
- Lave todas as partes em água corrente até assegurar que não haja nenhum vestígio de sabão.
- Deixe todas as partes secando ao ar livre, colocando a garrafa – de cabeça para baixo –, a tampa, bicos e vedantes em um escorredor ou local arejado.
O especialista também ressalta que a garrafa nunca pode ser guardada ou tampada enquanto estiver úmida. “Guardar a garrafa úmida e tampada é prejudicial à saúde, pois a combinação de umidade residual, escuridão e a falta de ventilação cria o ambiente ideal para o crescimento acelerado de bactérias, fungos e mofo, levando ao risco de contaminação ao beber”, comenta o médico.
Além disto, o uso de outros líquidos, exige uma atenção redobrada. “O açúcar, presente em sucos e isotônicos, e os resíduos orgânicos de café e leite favorecem o surgimento de bactérias e fungos. Uma limpeza superficial só com água nesses casos acelera a proliferação desses microrganismos, podendo levar a problemas gastrointestinais,” explica o infectologista.
Para quem transporta bebidas pigmentadas ou açucaradas, a rotina de higiene deve ser reforçada e imediata. “O ideal é lavar a garrafa com água morna e detergente logo após o consumo de sucos ou cafés. Os resíduos orgânicos e açucarados grudam no recipiente, criando comunidades de microrganismos, que vivem agrupadas e protegidas nas bordas e bicos. Em conjunto, é preciso manter a rotina de limpeza”, aponta o médico.
Dicas para manter a garrafa sempre limpa
Uma dica para manter a limpeza do objeto, a segurança microbiológica e eliminar odores persistentes, é fazer uma limpeza mais profunda todas as semanas ou, se plausível, sempre que utilizar a garrafa para armazenar outros líquidos que não sejam água.
“Essa limpeza pode ser feita com bicarbonato de sódio e vinagre, deixando de molho por 15 a 30 minutos. É mais recomendada para garrafas de inox e plásticas. Outra opção é misturar uma colher de sopa de água sanitária em um litro de água e deixar de molho por 20 a 30 minutos. No entanto, essa opção não é indicada para garrafas de inox devido à corrosão”, aconselha Igor Marinho, infectologista.
O especialista ressalta que, depois de qualquer desinfecção, o enxágue deve ser longo e abundante para não deixar vestígios dos produtos de limpeza. Outra dica essencial é impedir compartilhar o objeto.
“Não se deve dividir a garrafa de água para evitar a transmissão direta de microrganismos através da saliva, o que aumenta o risco de contaminação cruzada com bactérias e vírus. Da mesma forma, não se deve deixar a água por muito tempo dentro do utensílio, pois, após o contato inicial com a boca, a água se torna um meio nutritivo que permite a proliferação gradual de bactérias presentes na garrafa e na saliva, transformando a água em um ambiente propício para o crescimento de bactérias”, finaliza o infectologista.
Com informações de ClickGuarulhos


