Na manhã de quinta-feira (29), o Centro Multiprofissional de Práticas Integrativas e Complementares da Saúde (Cempics) promoveu mais uma edição do tradicional Sarau no Parque, na Tenda Branca do Parque Júlio Fracalanza. A atividade agrupou usuários, profissionais e frequentadores em um momento programado através da escuta, através da arte e através da convivência. A iniciativa integrou a programação do Janeiro Branco e teve como tema a Cultura de Paz, em alusão ao Dia Mundial da Não Violência e Cultura de Paz, celebrado na próxima sexta (30).
Com apresentações musicais, dinâmicas e leituras de poesias, o sarau produziu um ambiente de expressão e acolhimento, amplificando a relação entre saúde, arte e comunidade. No espaço do acontecimento, diferentes vivências foram compartilhadas, evidenciando o papel da cultura como ferramenta de cuidado com a saúde mental e emocional.
Entre os destaques da programação, uma participante apresentou o texto “Bem-vindo à Holanda”, da escritora Emily Perl Kingsley, uma metáfora sobre expectativas, mudanças de rota e a necessidade de acolher caminhos diferentes dos planejados. “Você queria ir para lá, mas às vezes seu destino é outro. O avião pousou na Holanda. Aproveite as coisas lindas e especiais que só a Holanda tem”, destacou, conduzindo o público a uma reflexão sobre o autocuidado do corpo e da mente.
O sarau também marcou a primeira participação de Amanda do Carmo Silva. Pessoa com deficiência visual, ela compartilhou de forma leve uma situação vivida no trajeto até o local, relatando a dificuldade para conseguir se sentar no ônibus, mesmo sendo conhecida através do motorista, que naquele momento não interveio junto aos demais usuários. Amanda comentou que talvez ele próprio não estivesse em um bom dia, observação que dialogou diretamente com a canção apresentada em seguida. Ao interpretar “Seja Gentil”, de Kell Smith, emocionou o público e reforçou a mensagem de empatia, cuidado e compreensão do outro que atravessou toda a atividade.
Outra estreia foi a de Renato Júlio, professor de artes da rede municipal e artista, que soube do sarau com o auxílio da difusão no site oficial da Prefeitura. Ele declamou poemas e apresentou músicas infantis, seguido de seu banjo. Segundo ele, a música infantil tem essa facilidade de arrancar sorrisos, contribuindo para criar um clima leve, afetivo e acolhedor.
A programação contou ainda com a participação de jovens da Associação Brasileira da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad) de Guarulhos que falaram sobre a necessidade do trap e do skate em suas vidas, evidenciando essas expressões como formas de pertencimento, identidade, socialização e cuidado com a saúde mental. Para eles, a música e o esporte representam caminhos de expressão, resistência e construção de perspectivas positivas.
A diversidade de vozes esteve presente também no depoimento de Dona Maria Del Carmen, que abordou a necessidade do cuidado com as plantas como prática terapêutica. Durante o encontro, ela levou mudinhas para doar aos que participam, gesto simbólico de cuidado, troca e conexão com a natureza. Segundo ela, o cultivo das plantas contribui particularmente para manter o equilíbrio emocional nos momentos de nervosismo.
O encontro agrupou pessoas com diferentes trajetórias e condições, incluindo que participam com baixa visão e com mobilidade reduzida, reforçando o caráter inclusivo do sarau. Neste contexto, uma enfermeira aposentada compartilhou sua vivência, evidenciando que muitas doenças têm relação com aspectos emocionais, como a falta de socialização e de esperança. Ela relatou sua aproximação com terapias integrativas, como reiki, massagens e encerrou o sarau conduzindo uma dança sênior, reunindo todos os que participam em um momento coletivo de movimento, integração e celebração.
Mais do que apresentações artísticas, o Sarau no Parque se afirmou como um espaço de convivência, troca e escuta, reforçando a necessidade de iniciativas que promovem o bem-estar emocional, a vida comunitária e a cultura de paz como práticas cotidianas de saúde. A gerente do Cempics, Denise Antunes, destacou que a temática do mês foi trabalhada com início dos seis pilares da Cultura de Paz, respeitar a vida, rejeitar a violência, ser bondoso, ouvir para compreender, preservar o planeta e redescobrir a caridade, valores que, segundo ela, contribuem para transformar relações e fortificar o bem-estar coletivo.
A próxima edição está agendada para o dia 25 de maio.
Com informações de GuarulhosHoje


