Desenvolvida através do Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Nesta primeira etapa, a imunização será destinada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, da rede municipal.
Para o começo da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado. A estimativa é que aproxamadamente 216 mil profissionais da atenção básica, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, sejam imunizados durante da ação. A estratégia foi articulada através da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), por intermédio do Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, em colaboração com os Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVEs) de todas as regiões do Estado, o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems-SP) e o Ministério da Saúde. Nesta semana, a Pasta promoveu a primeira reunião técnica com os GVEs, além de capacitações para a rede organizar a campanha.
A tecnologia da Butantan-DV representa um avanço relevante ao permitir uma imunização mais rápida do povo, além de diminuir custos e simplificar a logística de aplicação em campanhas de grande escala.
Produzida em São Paulo, a vacina é resultado de anos de pesquisa e inovação científica e tem potencial para impactar diretamente a redução de casos graves da doença. A distribuição das doses foi coordenada através da Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios conforme com critérios técnicos e a capacidade operacional de cada área.
Até o dia 5 de fevereiro, o estado de São Paulo registrou 4.647 casos de dengue e um óbito. Em 2025, já foram confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos no território paulista, reforçando a necessidade da ampliação das estratégias de prevenção e imunização.
Butantan-DV em Botucatu
O Governo de São Paulo iniciou a vacinação contra a dengue em Botucatu, município escolhido para o estudo de impacto da imunização com a Butantan-DV. O município foi escolhida através da estrutura da rede de saúde e através da experiência em campanhas de vacinação em larga escala, além da circulação recente do sorotipo DENV-3. A ação integra a estratégia nacional de imunização e será auxiliada por monitoramento técnico e científico.
A aprovação da Butantan-DV é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 direcionados à Anvisa. No público de 12 a 59 anos, o imunizante exibiu 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com indicadores de alarme. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários moradores de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, nesta ordem.
Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se exibiu seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.
Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório postado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e enfrentamento da doença.
Para ampliar o público autorizado a receber o imunizante, recentemente, o Instituto Butantan iniciou a recrutar voluntários de 60 a 79 anos para ensaios clínicos da Butantan-DV em quatro centros de pesquisa em Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e um em Curitiba, no Paraná.
Com informações de Guarulhosweb


