Um crânio humano foi descoberto à margem da pista dos Imigrantes, em Cubatão – SP, junto com uma carta assinada por alguém que se identifica somente como ‘Exu Caveira’. A descoberta fica sendo investigada através da Polícia Civil, que procura reconhecer a origem do crânio e compreender as circunstâncias que levaram à sua presença no local.
Conforme a médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia, a análise antropológica forense envolve a avaliação de características morfológicas do crânio, como formato, suturas cranianas, previsões ósseas e dimensões para determinar sexo, idade, ancestralidade e estatura.
Entre os desafios confrontados através da perícia na reconhecimento de um crânio descoberto em condições adversas, como ao lado de uma pista, a médica destaca que a degradação ambiental, incluindo exibição ao sol, chuva, variações de temperatura e ação de animais, podem comprometer a integridade do crânio.
“A ausência de dados comparativos, como registros odontológicos, médicos ou genéticos da possível vítima, é um obstáculo significativo. A fragmentação, causada por acidentes ou ações de predadores, pode resultar em ossos quebrados ou incompletos. A contaminação biológica, devido ao contato com solo, vegetação ou fluidos, interfere na extração de DNA. Além disso, o tempo de exposição aumenta a dificuldade na obtenção de DNA ou na identificação de características anatômicas”, afirma Daitx.
Embora não seja o método que será usado no caso em questão, a médica explica que a depender da situação, outros exames poderão ser feitos, como por exemplo, o odontolegal, feito através da comparação da arcada dentária com prontuários odontológicos, sendo extremamente eficaz na reconhecimento, em particular quando existe tratamentos dentários prévios.
Além desses, outro recurso disponível é a reconstrução facial forense.
“Trata-se de uma técnica que permite criar uma imagem aproximada do rosto da pessoa a partir do crânio, ajudando na identificação por familiares ou por reconhecimento público. A análise radiológica compara imagens radiográficas “antemortem”, quando disponíveis, com o crânio descoberto. Já o exame de marcas e traumas avalia fraturas, cicatrizações e intervenções cirúrgicas que poderão ser compatíveis com históricos médicos do provável sujeito”, explica a especialista.
A investigação fica em andamento e a perícia médica trabalha para reconhecer o crânio e esclarecer as circunstâncias de sua descoberta.
*Fonte: Caroline Daitx tem casa em Medicina Legal e Perícia Médica através da Universidade de São Paulo (USP). Atuou como médica concursada na Polícia Científica do Paraná e foi diretora científica da Associação dos Médicos Legistas do Paraná. Pós-graduada em gestão da qualidade e segurança do paciente, age como médica perita particular e promove cursos para médicos sobre medicina legal e perícia médica. Autora do livro “Alma da Perícia”.
Com informações de ClickGuarulhos


