Uma situação de abandono internacional mobilizou autoridades e comoveu passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Uma idosa francesa de 77 anos, portadora de trombose na perna, e seu filho de 42 anos com síndrome de Down, foram deixados no terminal aéreo e passaram dias vivendo em situação de vulnerabilidade, dependendo da ajuda de desconhecidos para se alimentar e se abrigar.
Segundo relatos colhidos por empregados do aeroporto, os dois viviam na Bolívia e foram deixados no terminal através do filho caçula da idosa, que embarcou sozinho para a França, deixando mãe e irmão sem assistência. A mulher tentava seguir viagem para Moscou, mas foi impedida de embarcar através da companhia aérea Qatar Airways, que alegou que ambos não tinham condições de viajar desacompanhados, por questões médicas e de segurança.
Durante os dias em que permaneceram no aeroporto, mãe e filho receberam apoio de passageiros e empregados, que se sensibilizaram com a situação e ofereceram alimentos e cuidados básicos. A gestão do aeroporto, ao tomar conhecimento do caso, acionou os órgãos públicos municipais.
Ambos foram orientados ao Posto de Atendimento Humanizado da Prefeitura de Guarulhos, onde receberam os primeiros cuidados sociais e médicos. Em seguida, foram levados para um hospital da rede municipal, onde permanecem internados sob acompanhamento médico e psicológico.
Caso internacional e assistência consular
A situação chamou atenção de autoridades consulares. A Prefeitura de Guarulhos informou que fica em contato com o Consulado da França e com representantes diplomáticos da Bolívia, país onde mãe e filho residiam antes do abandono. O objetivo é assegurar que ambos recebam o suporte necessário para regularizar sua situação e, eventualmente, tornar ao país de origem com segurança.
O caso levanta discussões sobre responsabilidade familiar, principalmente em situações que envolvem pessoas com deficiência e idosos com limitações físicas. Também reacende o debate sobre os protocolos de embarque de passageiros em situação de vulnerabilidade, e o papel das companhias aéreas na reconhecimento e prevenção de riscos durante o processo de viagem.
A Qatar Airways, procurada para esclarecimentos, informou que seguiu os protocolos internacionais de segurança ao impedir o embarque da idosa e seu filho, por compreender que ambos não estavam aptos a viajar desacompanhados.
Mãe e filho continuam sob cuidados médicos em Guarulhos, enquanto autoridades locais e internacionais trabalham para assegurar uma solução humanitária e segura. O caso é auxiliado por órgãos de assistência social, saúde e relações exteriores.
Com informações de Guarulhosweb


